Cinto no banco de trás reduz risco em 75%

Cinto no banco de trás reduz risco em 75%

A utilização do cinto de segurança no banco de trás vem ganhando adeptos, que não abrem mão da segurança e proteção do dispositivo. Dados de medicina de tráfego apontam que o uso do cinto de segurança no banco da frente pode reduzir em 45% o risco de mortes em acidentes.

No banco traseiro essa redução pode chegar a 75%. De acordo com levantamento da Agência Reguladora de Transportes de São Paulo (Artesp), 69,4% dos passageiros de banco traseiros nos veículos que se envolveram em acidentes nas rodovias paulistas entre 2012 e 2014 estavam sem cinto de segurança.

Morador de Sumaré, o encarregado de obra Luciano Souza, de 38 anos, afirma que sempre pede para a mulher e a filha ou qualquer outro passageiro para colocar o cinto de segurança. Ele admite que não ligava para o dispositivo, mas passou a utilizar o cinto depois de ficar sabendo que muitos acidentes graves ocorrem porque os passageiros não utilizam o equipamento.

“Estou sempre usando e peço para minha filha colocar, ela mesmo já sabe que precisa colocar. Vou ser bem sincero, antes não usava muito, mas agora tenho visto muitos acidentes e peço para usar até na cidade”, conta Souza, que já sentiu no bolso pela ausência do cinto de segurança. “Já tomei multa quando não usava e agora mando colocar na hora”, confessa.

Apesar da pouca idade, a filha do encarregado de obra, Luara, de 9 anos, mostra conscientização e utiliza o cinto de segurança por conta própria. “Sempre ponho, tem que colocar, né? A professora fala que é importante usar porque protege se acontecer algum acidente”, diz a menina.

Já o aposentado José Carlos Grécia, de 53 anos, reconhece a importância do cinto de segurança na proteção aos passageiros em caso de colisão ou acidente de trânsito, porém, admite que só utiliza o dispositivo nas rodovias.

“Sempre uso o cinto atrás, fico mais protegido e sei que é mais seguro, mas só uso na estrada. Na cidade a gente sobe no carro e desce rápido. Acho que não é necessário, porque tem muitos semáforos e o carro não atinge velocidade elevada”, afirma.

A não utilização do cinto de segurança levou a Polícia Militar Rodoviária a multar 194.730 motoristas no Estado de São Paulo de janeiro a agosto deste ano. A multa pela infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro é de R$ 127,69 por pessoa sem o cinto e retenção do veículo até a colocação do equipamento.

Campanha

Em parceria com as concessionárias que administram as rodovias paulistas, a Artesp realiza campanha para conscientizar os motoristas e passageiros sobre a importância da utilização do cinto de segurança, destacando a importância do dispositivo em caso de colisão de trânsito. O mote da campanha de conscientização foram as desculpas dadas pelos usuários para não utilizar o cinto.

O filme da ação publicitária destaca que o motorista apresenta as mais diversas alegações como “a gente vai só até a cidade aqui do lado” ou “qualquer coisa o banco da frente protege”, o que é um grave erro já que, em caso de acidente, o passageiro do banco traseiro sem cinto é arremessado sobre o ocupante do banco à frente, provocando ferimentos em ambos.

Outra frente da campanha é o Simulador de Impacto, equipamento que reproduz uma batida a 5km/h, passando para a pessoa que o utiliza a sensação dos danos que um acidente pode causar e transmitindo a exata noção da importância do uso do cinto.

O impacto de um veículo em uma velocidade de 20km/h, por exemplo, sobre um objeto ou outro veículo resulta numa força superior a quinze vezes o peso da pessoa. Um acidente com veículo numa velocidade de 60km/h é equivalente a uma queda de um prédio com altura de 14 metros.

O equipamento já passou por 42 municípios desde dezembro, e mais de 16 mil pessoas tiveram a oportunidade de usá-lo e receber informações sobre segurança viária.

Região de Campinas

O uso do cinto de segurança no banco traseiro aumentou na Região Administrativa de Campinas, segundo pesquisa realizada pela Agência Reguladora de Transportes de São Paulo (Artesp) em 16 regiões do Estado de São Paulo.

A pesquisa foi feita nas praças de pedágio das rodovias sob concessão por meio da observação dos ocupantes dos veículos que paravam nesses locais.

Em dezembro do ano passado, 52% dos passageiros da região de Campinas não utilizavam o dispositivo de segurança no banco de trás.

Já levantamento realizado em agosto e divulgado na semana passada mostrou que o percentual de passageiros que não usavam o cinto de segurança caiu, agora, para 44%.

No entanto, apesar do resultado positivo, a porcentagem de passageiros que utilizam o dispositivo na região de Campinas só é maior que cinco regiões paulistas (Barretos, Franca, Itapeva, Ribeirão Preto e Santos) e inferior à média estadual, em que 38% responderam não fazer uso do cinto quando trafegam no banco de trás.

Das regiões administrativas do Estado, as que tiveram a maior queda no índice de não utilização do cinto de segurança no banco traseiro foram as regiões de São José dos Campos — recuou de 29 pontos percentuais (de 59% para 30%); de São José do Rio Preto — redução de 26 pontos (de 59% para 33%); e Central — queda de 25 pontos (de 59% para 34%).

Com os 30% de não utilização do equipamento, São José dos Campos é a região com melhor índice. Em segundo lugar aparece São José do Rio Preto e Região Metropolitana de São Paulo, com 33% de passageiros do banco traseiro que não usam o cinto. Em dezembro o índice da Grande São Paulo de não utilização era de 53%.

A Artesp atribui a evolução do uso do cinto de segurança no Estado à campanha de conscientização da importância da utilização do dispositivo de segurança, realizada pela agência e pelas concessionárias das rodovias, que teve início há oito meses.

“É um trabalho de longo prazo. Motoristas e passageiros precisam se conscientizar sobre a importância do cinto de segurança tanto nos bancos da frente como no banco de trás também”, alerta o diretor geral da Artesp, Giovanni Pengue Filho.

Mídia

Entretanto, o engenheiro mecânico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Celso Arruda, especialista em trânsito, acredita que a divulgação do assunto na mídia foi mais eficaz para esse aumento no uso do equipamento do que as campanhas de conscientização promovidas pela Artesp e concessionárias.

“Esse crescimento é poder da mídia, que tem abordado muito o assunto. Para quem sabe do assunto pode parecer óbvio, não tem novidade. Mas a exposição na mídia tem dado resultado”, avalia.

O diretor-presidente do Detran, Daniel Annenberg, reconhece que a morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo e sua namorada Allana Moraes, em junho deste ano, ajudou a conscientizar a população sobre a importância de utilizar o cinto de segurança no banco de trás. No acidente ocorrido no interior de Goiás, o cantor e sua namorada foram arremessados do carro porque não utilizavam o equipamento.

“Infelizmente houve a morte do cantor famoso e isso fez as pessoas se conscientizarem. Mas infelizmente ainda falta muito e estamos trabalhando para aumentar esse número”, destaca.

Arruda afirma que utilizar o cinto de segurança no banco traseiro é até mais importante do que no banco da frente, na medida que protege não apenas o ocupante do dispositivo, mas também quem está na frente.

“Se o passageiro atrás não estiver usando e houver uma colisão, tem a chance de ser jogado para a frente e atingir o passageiro ou o motorista. E tem que usar também na cidade, não só na rodovia. Dirigir devagar não quer dizer estar seguro. Cinto tem que ser um hábito”, recomenda.

Para o especialista, a única forma de aumentar o uso do cinto de segurança é ensinar as crianças. “Tem que ensinar às crianças para elas convencerem os pais, dizendo que se não usar estão desobedecendo a lei. Tem que começar de baixo.”

Crédito: Correio Popular

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